domingo, 21 de junho de 2015

Mulher fotografa corpo e é detida em velório de PM no Rio

Drielle Lasnor, 24 anos, foi velada e enterrada neste domingo em Sulacap.

Mulher, ainda não identificada, foi cercada por PMs e levada para delegacia;

Marido de Drielle Lasnor amparado pelo tio da policial carregando caixão da esposa. No outro lado, Friederik Bassani, comandante do 14 BPM, onde ela trabalhava (Foto: Cristina Boeckel / G1)Marido de Drielle Lasnor amparado pelo tio da policial carregando caixão da esposa. No outro lado, Friederik Bassani, comandante do 14 BPM, onde ela trabalhava (Foto: Cristina Boeckel / G1)


Uma mulher foi detida neste domingo (21), no velório da policial militar Drielle Lasnor de Morais, que aconteceu no Cemitério Jardim Sulacap, Zona Oeste do Rio, após ter fotografado o corpo dentro da capela. Ela tentou escapar, mas foi cercada por parentes, familiares e PMs que estavam no local. Drielle foi enterrada às 14h43 em clima de protesto e emoção.

A mulher, que não teve a identidade revelada, apagou a imagem logo após enviá-la via celular, informou a PM. Após discussão presenciado pelo G1, ela foi levada por três policiais para uma delegacia. As agentes não souberam informar para qual delegacia ela seria encaminhada.

O velório da policial militar Drielle Lasnor de Morais foi marcado pela indignação de familiares e amigos. Atingida por um tiro na cabeça na Estrada da Água Branca, Realengo, na Zona Norte, durante uma perseguição no dia 29 de maio, a PM faleceu neste sábado (20).
Policial Drielle Lasnor de Moraes foi baleada no
                                                      rosto (Foto: Reprodução / Globo)

Com a morte da jovem de 24 anos, a família reviveu o drama de perder um ente querido a serviço da polícia. O pai de Drielle era sargento da PM e foi assassinado há dez anos, trabalhando. A soldado estava internada no Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, Região Metropolitana, desde maio, quando foi atingida no rosto.
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"Que desmando é esse que continuam morrendo policiais? Há dez anos, o pai dela, que era sargento do 14º Batalhão, o mesmo que ela servia, morreu com 16 tiros pelas costas em serviço. Agora, acontece a mesma coisa com ela. Não adianta as autoridades mandarem notas através da imprensa e órgãos oficiais. Isso vai até quando? Ela é mais uma vítima militar desprotegida pelo sistema", desabafou um familiar de Drielle, que preferiu não se identificar, mas também é militar.

Cerca de 200 pessoas se despediam de Drielle em torno de 13h. Todas usam fitas pretas na lapela. Policiais militares fizeram um protesto contra a morte de policiais e pediram "mudança na legislação penal".

O coronel Robson Rodrigues, chefe do estado maior da Polícia Militar, informou que dois suspeitos da morte de Drielle estão presos. Ele afirma que a carreira policial envolve riscos. "Embora estejamos tristes, essa é a nossa profissão. Ela envolve riscos em um estado tão complexo como o Rio de Janeiro", disse.
Policiais militares fizeram protesto no velório de
Drielle Lasnor (Foto: Cristina Boeckel / G1)

Paixão pela polícia
Antes de Drielle ser policial, ela trabalhava em um banco. A jovem era formada em administração de empresas e cumpriu parte do curso de engenharia. Havia um ano que estava na Polícia Militar e três meses no patrulhamento das ruas, que "era a sua paixão". "Ela amava o que fazia. Preferiu ir para a rua do que fazer carreira administrativa", diz o mesmo parente.

Amigos e parentes questionaram o tempo de preparo dos policiais que fazem o policiamento da cidade. Drielle trabalhava no 23º Batalhão e foi para o 14º Batalhão, o mesmo onde o pai trabalhava.

A informação do óbito da soldado do 14º BPM (Bangu) foi confirmada pela Secretaria Estadual de Saúde. O estado de saúde de Drielle era grave.

Perseguição em Realengo
Uma parente, que não quis se identificar, disse ao RJTV - na época que o crime ocorreu -, que a PM era uma pessoa maravilhosa e gostava de ajudar os outros.

“Ela é uma pessoa maravilhosa. Tem um coração assim enorme. Faria qualquer por qualquer um, qualquer coisa. Muitas dor, desespero. Quase uma perda. É muito, muito forte”, desabafou.

A corporação, na ocasião, declarou que a soldado Drielle Lasnor de Moraes havia sido socorrida e levada para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, no entanto, depois transferida para o Hospital Estadual Alberto Torres.

Suspeitos
De acordo com o comandante do 14º BPM (Bangu), coronel Friederick Minervini, os três suspeitos conseguiram fugir após o veículo bater no muro de uma igreja. Entretanto, a PM conseguiu prender dois deles. Gustavo Marques de Assunção, de 26 anos, e Rafael Paiva de Oliveira, de 22 anos, foram encaminhados à 34º DP (Bangu).

Segundo a Polícia Civil, com os criminosos foram apreendidos duas pistolas, uma mochila, um rádio transmissor e um caderno com anotações do tráfico. Eles vão responder por tentativa de homicídio, porte ilegal de arma e associação para o tráfico de drogas.

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/mulher-e-detida-em-velorio-de-pm-no-rio-apos-fotografar-corpo.html

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