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domingo, 10 de julho de 2011

REDE GLOBO: RESPOSTA AOS POLICIAIS


Entendemos sua legítima preocupação quanto à fala do fictício delegado, entendida como preconceituosa contra a Polícia Militar, ainda mais em se tratando de uma instituição da mais alta importância para a sociedade. Respeitamos o inequívoco trabalho dos órgãos de segurança pública, e por isso mesmo temos colaborado em diferentes iniciativas relacionadas ao tema, bem como realizado ações para a sua promoção e valorização.

Entretanto, gostaria de fazer algumas ponderações com relação à cena em questão, transcrita abaixo e disponível em:http://insensatocoracao.globo.com/capitulo/norma-se-revela-para-leo...

Situação: polícia revista (com mandado judicial) a casa de Horácio Cortez (que acabara de ser preso no aeroporto, tentando fugir do país com uma mala de dinheiro) na presença de Rafael (filho de Cortez), quando chega Paula (irmã de Rafael).

Paula Cortez: O sr. é o responsável por essa palhaçada aqui?

Delegado: Delegado Rossi. E a sra. é...?

Paula Cortez: Uma das donas dessa casa. Eu acho um absurdo eu chegar aqui e estar essa bagunça, essa falta de respeito. Vocês não tem mais nada para fazer não, hein? Com tanto mendigo na rua para recolher. Que que vocês fazem, hein? Só recebem propina de motorista bêbado?

Delegado: Acho que a sra. tá confundindo um pouco as coisas, viu? Eu não sou guarda municipal, tão pouco sou policial militar. Por isso mesmo, eu vou te dar um refresco, e vou fingir que não ouvi o que a senhorita acabou de dizer, viu?

Paula Cortez: Como é que é o seu nome?

Delegado: Rossi

Paula Cortez - Ah, eu vou te denunciar. Denunciar você e a sua corja. E acho melhor vocês saírem da minha casa...

Rafael Cortez: Cala a boca. Deixa de ser ridícula e pede desculpas.

Paula Cortez: Você tá do lado dele também agora, é?

Delegado: Escuta o seu irmão que ele sabe das coisas, ele estuda direito. Pergunta pra ele o que que é desacato à autoridade, pergunta.

Rafael Cortez: Você já deu ridículo bastante, agora sai do meu quarto. Vaza, por favor!
Como se pode ver no diálogo, a intenção de agredir a autoridade, fazendo acusações à “polícia” (entendida por ela como entidade única), é da personagem Paula, a filha sem ética do empresário criminoso que pouco antes tentara fugir junto com o pai.

Quando o delegado responde, não está ele próprio emitindo juízo ou concordando com as insinuações de leniência e corrupção: “a sra. está confundindo um pouco as coisas”, diz, e então explica – fazendo referência à fala anterior de Paula – que não é “guarda municipal”, uma vez que seria da Guarda Municipal (e não da Polícia Civil) a responsabilidade pela ordem urbana e pelo recolhimento da população de rua, e que não é “policial militar”, uma vez que seria da Polícia Militar (e não da Polícia Civil) a responsabilidade pelo policiamento ostensivo que flagra motoristas alcoolizados ao volante (situação em que poderia haver o ato de corrupção).

A resposta do delegado seria equivalente a dizer: “se você vai mesmo fazer uma provocação (que estou desconsiderando para não ter que lhe dar voz de prisão por desacato), saiba ao menos que há diferentes órgãos de segurança com diferentes funções”. Ele não acusa policiais militares ou guardas municipais de corruptos.

Espero que compreenda, assim, que não houve qualquer intenção de nossa equipe de criação neste sentido. Se, de toda forma, a percepção foi esta, tenha certeza que levaremos ao conhecimento dos autores, de modo que possam estar ainda mais atentos ao entendimento da trama pelo telespectador – algo essencial para a noção de qualidade que caracteriza a produção de teledramaturgia da TV Globo.

Por último, gostaria apenas de destacar o que consideramos um ponto relevante: a telenovela é uma obra autoral de ficção. A história é resultado unicamente da imaginação do autor, está no terreno da fantasia, sem vínculo necessário com a realidade. As tramas, situações e personagens (como a mau-caráter que acusa genericamente uma instituição pública) são meras invenções, assim compreendidas pelo público, que busca apenas entretenimento – seja na TV, no cinema, no teatro ou na literatura, da ficção científica às novelas de época. E é exatamente a liberdade de expressão e criação artística, um valor fundamental assegurado pela Constituição Federal, como bem apontado em sua carta, que permite a um autor contar uma boa história.

Permanecemos à disposição.
Um abraço cordial,

Luis Erlanger
Diretor da Central Globo de Comunicação


sexta-feira, 8 de julho de 2011

PROMOÇÕES:COMANDO GERAL ATENDE PEDIDO DA TROPA

Comando Geral apresenta proposta para promoção de cabos com 25 anos de serviço


A Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul (ACSPMBM/MS), liderando uma comissão formada por dez cabos da PM, se encontrou na manhã desta sexta-feira (08) com o Comandante Geral, Coronel Carlos Alberto David dos Santos, para discutir a agilidade no processo de promoção. As solicitações, basicamente, resumem-se em efetivar as promoções de cabo à 3º sargento tão logo seja cumprido o interstício mínimo exigido pela Lei Complementar Nº 053.

De acordo com David, o Comando está com um pedido de alteração na legislação, onde todos os cabos com mais de 25 anos de carreira sejam dispensados do CFS (Curso de Formação de Sargentos) para conseguir sua promoção. Para isso, será levado em conta somente o critério de antiguidade.

Desde o ano passado, a ACS discute a criação de uma política de promoção que contemple os policiais mais antigos da corporação.

“Não será exigido nada. Chegou data para a promoção, ele será promovido”, disse o Comandante, que garantiu ainda que o projeto já está na mesa do governador André Puccinelli (PMDB). “Às vezes uma promoção é melhor que um índice de reajuste. Temos que dar um passo de cada vez”, ponderou.

A minuta do pedido de alteração terá algumas mudanças na redação e depois será encaminhada para a tropa examinar, através da ACS. O objetivo é, caso a medida seja efetivada, evitar possíveis reflexos negativos para a tropa.

Após a minuta ser analisada, outra reunião será marcada na segunda quinzena de julho para discutir sua aplicação.

“A reunião foi excelente. Acredito que teremos avanços significativos”, disse a policial militar cabo Aparecida Rosângela Bitencourt.

Ela sugeriu ainda durante o encontro que, no caso da mulher, essa promoção seja para militares com mais de 20 anos de serviço. O Comandante Geral se mostrou receptivo com a ideia. “Me apresentem uma proposta para que eu possa trabalhar no projeto”, finalizou.



Assessoria de Imprensa da ACSPMBM/MS

GUARDA MUNICIPAL DE DOURADOS TREINAM TÉCNICAS DE IMOBILIZAÇÃO

Guarda participa de qualificação em técnicas de imobilização

 Integrantes da Guarda Municipal de Dourados estão participando de qualificação sobre técnicas de imobilização. A instrução faz parte do projeto de treinamento, composto por várias etapas, iniciado com curso para uso de armas. É resultado de um contrato com o Cati-Sul (Centro Avançado em Técnicas de Imobilização).

São três dias de aulas para cada turma, lembrando que são cinco turmas, incluindo policiais militares.
O instrutor do Cati, Paulo Amaral, policial militar no Rio Grande do Sul e responsável pelo treinamento, explicou que são passadas orientações teóricas e práticas sobre como atuar em ocorrências de tumultos, manifestações, desordem e ainda de apoio à Polícia Militar em bloqueios de vias.

Paulo informou que nesta etapa a Guarda Municipal cedeu espaço para a participação também de policiais militares, como forma, até mesmo, de trocar experiências. Ele adiantou que outros cursos ainda serão realizados no decorrer deste ano dentro do mesmo projeto.



Fonte: Assecom







quinta-feira, 7 de julho de 2011

PEC 300- 09 DE AGOSTO O BRASIL VAI PARAR

09 de agosto será o dia da grande manifestação da PEC 300 no Congresso Nacional


O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO) da Câmara dos Deputados, deputado federal Mendonça Prado (DEM-SE), estabeleceu o dia 09 de agosto de 2011 para ser realizada uma grande manifestação dos policiais e bombeiros militares no Congresso Nacional em prol da PEC 300/08.

Os representantes estaduais prometeram trazer caravanas com mais de mil militares de cada Estado para permanecer no gramado principal do Congresso Nacional até o pleito ser atendido. Há uma possível paralisação nacional.

Durante dois dias, vários parlamentares e representantes das categorias estaduais estiveram reunidos para pressionar o presidente da Câmara Federal, deputado Marco Maia, para agilizar a tramitação da PEC. Uma comitiva de parlamentares e líderes do movimento foi organizada para conversar com o deputado Marco Maia. Todavia, a comitiva destacou o desinteresse do presidente da Câmara Federal na tramitação do projeto.

Mendonça Prado sugeriu o apoio dos líderes partidários na assinatura de um requerimento no sentido de pressionar a inclusão da proposta na ordem do dia para votação em segundo turno, logo após a retirada da urgência do projeto que cria o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego - PRONATEC. Até o momento dez líderes já assinaram, faltando apenas os líderes do PT, PSDB e PMDB.

“Com a assinatura de todos os líderes partidários, tenho confiança que o deputado Marco Maia se sensibilize e inclua essa proposta que, sem sombra de dúvidas, vai mudar a vida de nossos profissionais da segurança pública, bem como vai beneficiar toda a sociedade brasileira”, afirmou Mendonça Prado.



Fonte : faxaju -Por Izys Moreira - Assessoria de Imprensa

terça-feira, 5 de julho de 2011

PEC 300: COMISSÃO VAI PROPOR FUNDO FEDERAL PARA PAGAR OS POLICIAIS

Comissão vai propor fundo federal para financiar gastos com PEC 300



O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Mendonça Prado (DEM-SE), disse há pouco que os integrantes da comissão estão colhendo assinaturas para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria um fundo nacional de segurança para valorização dos profissionais da área, composto de 5% da arrecadação federal do Imposto de Renda e do IPI.

Com isso, ele espera vencer a resistência dos governadores ao aumento salarial dos policiais e bombeiros e viabilizar a aprovação da PEC 300/08 em segundo turno.

“Vamos apresentar essa PEC no decorrer da próxima semana e, com ela, o governo federal vai compartilhar a responsabilidade sobre a folha de pagamentos dessas categorias. A solução está dada e não há necessidade de dialogar com os governadores”, disse. Um dos obstáculos à votação da PEC 300 é a preocupação dos governadores com o impacto do piso nos orçamentos estaduais.

Segundo Mendonça Prado, o fundo seria criado nos moldes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e ficaria explícita, no texto constitucional, a origem dos recursos para o aumento salarial das categorias. "Com isso, só não vota o piso se não quiser".

Pressão

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) sugeriu há pouco que os parlamentares que defendem a PEC 300 ameacem estampar, em cartazes e outdoors, o rosto dos líderes partidários que não se comprometerem com a inclusão da proposta na pauta do Plenário.

“Tem gente jogando contra. É hora de fazer, com todo o respeito, os retratos dos parlamentares contrários para queimá-los, como o PT fazia quando era oposição com quem votava contra o trabalhador”, disse Garotinho.


Fonte: tv camara

PEC NAO FOI VOTADA E PM E BM AMEAÇAM PARALIZAÇÃO

Sem data para votar PEC 300, policiais e bombeiros ameaçam paralisação



Integrantes da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e representantes de policiais e bombeiros estão, neste momento, montando um grupo que tentará se reunir ainda hoje com o presidente da Câmara, Marco Maia. Se não for definida data para votar a proposta de piso nacional para as categorias (PECs 300/08 e 446/09), haverá paralisação geral da segurança pública por um dia.



O anúncio foi feito pelo presidente da comissão, deputado Mendonça Prado (DEM-SE). A paralisação, segundo ele, já foi acordada pelos profissionais da área.



“Vai ser mais fácil marcar a greve geral do que a votação da proposta, porque o governo não quer votar”, disse o deputado Marllos Sampaio (PMDB-PI), integrante do colegiado.



Fonte: tv camara

sábado, 2 de julho de 2011

PMS DE MS COBRA PROMOÇÕES POR ANTIGUIDADE DA CATEGORIA


Cabos da Polícia Militar definiram na manhã deste sábado (02), em reunião no auditório da Cassems, a comissão que irá elaborar um documento para cobrar as promoções por antiguidade da categoria, além das inscrições para o próximo CFS (Curso de Formação de Sargentos), que começa no dia 1º de agosto.

"Temos que manter sempre esse fórum de diálogo, pois assim a classe consegue mostrar sua força", afirmou o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul (ACSPMBM/MS), Edmar Soares.

A comissão será composta por 10 cabos da PM: Silveira, Reali, Cristino, Ferreira, Frete, Darci, Diniz, Bittencourt, Amaral e Corrêa, que convocou a reunião. Eles irão se reunir na próxima segunda-feira (04), às 15 horas, na sede da ACS, para elaborar o requerimento, que será encaminhado ao Comandante Geral da Polícia Militar, Coronel Carlos Alberto David dos Santos.

Além disso, as assinaturas dos presentes no encontro e de cabos do interior do Estado serão anexadas para dar um "peso" no documento.

"Nossa reivindicação é a promoção por tempo de serviço ou que se cumpa a Lei Nº. 134, para os policiais que já têm interstício - tempo mínimo que um militar deve permanecer num posto ou graduação antes de ser promovido", cobra o cabo Corrêa.

Assessoria de Imprensa da ACSPMBM/MS

quinta-feira, 30 de junho de 2011

ACS DE DOURADOS PEDE RETRATAÇÃO A REDE GLOBO

A Associação dos Cabos e Soldados da Policia Militar e Bombeiro Militar do Estado de Mato Grosso do Sul (Dourados), visando lutar e defender os interesses dos Policiais Militares do Estado, vem por meio deste registrar o nosso descontentamento em relação ao capítulo da telenovela “Insensato Coração”, veiculado na emissora Rede Globo, no dia 29 de junho de 2011.


A novela Insensato Coração, de autoria de Gilberto Braga: apresentou ao Brasil, em horário nobre, cena vivida pelos personagens, delegado Rossi e Paula. Porém, de forma negativa às Instituições de Segurança Publica.

Apresenta-se a cena: A personagem Paula questiona o delegado Rossi, argumentando que ele “deveria estar prendendo mendigo e não homem de bem como o seu pai (Cortez). O delegado então responde da seguinte maneira: “não sou Guarda Municipal, muito menos Policial Militar para prender mendigo”.

Nesse âmbito, acreditamos que a emissora “caprichou” na caracterização deturpada do trabalho da Policia.

A cena em questão distorce a realidade e prejudica o importante trabalho desenvolvido pela Policia Militar e Guarda Municipal. Que trabalham na prevenção da ordem pública.

Tanto a Policia Militar quanto a Guarda Municipal, não realizam prisões de mendigos, como afirma o personagem da importante emissora.

Não ajudando muito, a Rede Globo de Televisão coloca em dúvida os trabalhos que essas duas instituições se segurança publica realizam.

Com essa visão restrita, na fala do delegado, ocasionará um confrontamento desnecessário, entre as Instituições.

Dessa forma, como representante dos Policiais Militares do Estado de Mato Grosso do Sul, sentimo-nos no dever de vir a público, responder a representação encenada na fala do personagem Rossi. Informando que trabalhamos em conjunto com as demais policias. E, é dessa maneira que conseguimos diminuir os crimes do nosso Estado, consequentemente do nosso País.

Mesmo sabendo que se trata de uma obra fictícia, repudiamos a maneira equivocada como o Policial Militar e Guarda Municipal foram apresentados.

Sinceramente, esperamos “retratação” da cena apresentada. Pois o trabalho de um Policial, não é prender mendigo. Além do mais, mendigo é um ser humano e não é bandido.




Aparecido Lima- CB PM
Diretor regional


Fonte: http://www.acsdourados.com/

domingo, 26 de junho de 2011

QUEM PROTEGE OS PROTETORES

Artigo desenvolvido durante a XV Jornada Formativa de Direitos Humanos, realizada na FABEC/RJ, de 30/05/2011 a 03/06/2011

1. INTRODUÇÃO

Historicamente o policial tem sido usado como instrumento da garantia e manutenção do poder e dos privilégios nas mãos da elite. Assim como o senhor de engenho utilizava o capitão do mato para submeter seus escravos, as elites utilizam o policial como ferramenta para submeter a plebe. Isso acontece ainda hoje em países capitalistas e socialistas, desenvolvidos e subdesenvolvidos.

Mas o policial não é o repressor, mas apenas uma ferramenta, e como tal, pode ser descartada ou substituída quando envelhece ou perde sua utilidade. Às vezes, por mau uso ou por defeito, a ferramenta torna-se inconveniente e deve ser destruída.
No caso do Brasil, a Polícia foi trazida de Portugal por D. João VI, e implantada sob o nome de Intendência Geral de Polícia, com atribuição para enfrentar problemas de moradia, desabastecimento de água e alimentos, e ainda para recolher de impostos, reprimir o contrabando e outros crimes, controlar de presos e combater idéias liberais que, com a abertura dos portos, poderiam ameaçar os interesses da coroa. Assim é que a “Polícia Joanina” fazia as vezes, simultaneamente, de Prefeitura, Receita Federal, Polícia e, sobretudo, Guarda Real.

No contexto atual, a denominada “constituição cidadã” consagrou, em seu artigo 144, o controle político das instituições policiais, mantendo suas características de “Guarda Real”. Utilizado pela elite como ferramenta para reprimir sua própria classe sócio-econômica mas sem gozar dos privilégios dessa elite, o policial fica isolado em uma “zona de limbo”: desprestigiado por seus pares e humilhado pela elite, acaba por constituir um verdadeiro “grupo vulnerável” que, ao contrário de outros (idosos, mulheres, GLBT, negros, etc) não contam com qualquer organização que efetivamente se proponha a defender seus direitos.

O objetivo do presente trabalho é identificar as violações aos direitos daqueles profissionais que devem, justamente, garantir esses direitos aos cidadãos mas que, paradoxalmente, não encontram quem efetivamente lhes defenda esses mesmos direitos como cidadãos. Os problemas levantados foram identificados, majoritariamente, com base em depoimentos de alunos das diferentes instituições de segurança pública do estado do Rio de Janeiro, no curso “Saúde ou Doença – de qual lado você está?”, promovido pela SENASP e do qual o autor é tutor.

2. DESENVOLVIMENTO
Para que a elite pudesse continuar a dispor das instituições policiais e de seus agentes como uma “ferramenta” destinada a garantir seus privilégios em detrimento das classes menos favorecidas, seria preciso:
• Escolher os policiais dentre as pessoas do povo, para que possam ser facilmente descartados;
• Prover baixa remuneração, para que esses profissionais possam, com mais facilidade, ser comprados quando ameaçarem atuar contra os integrantes das elites;
• Submeter os policiais e as instituições a uma forte ingerência, tanto no âmbito interno quanto externo, para os casos em que seus integrantes se recusarem a dobrar-se diante do poder econômico.

2.1 - Remuneração
A questão salarial é ainda muito mais grave do que se veicula. A remuneração percebida pelo policial – reconhecidamente defasada – é composta, em sua grande maioria, de adicionais e gratificações que se perdem quando o policial, doente ou ferido, se vê obrigado a afastar-se do trabalho.
O percentual dos vencimentos do policial que é composto por gratificações sofre grande variação entre as instituições e dentro de uma própria instituição, criando e acentuando distorções salariais. Em geral as gratificações representam mais de 70% dos vencimentos de um policial. Essas gratificações são retiradas do policial por motivo de seu afastamento (licenças, aposentadorias, etc).
Dentro de uma mesma instituição, podemos observar grandes variações em função da unidade onde o policial é lotado. Como as remoções são comuns e não precisam ser fundamentadas, o policial acaba se tornando “refém” de sua chefia imediata. Se quiser gozar férias ou reclamar alguma arbitrariedade poderá sofrer a denominada “punição geográfica”, sendo deslocado para outra unidade. Nesse contexto pode ver reduzidos seus vencimentos e ainda ter que arcar com novos custos de deslocamentos.

2.2 - Saúde

2.2.1 - Saúde Física:
Os policiais são submetidos a diferentes escalas de trabalho, sendo a 24x72 (horas), a mais comum. Nas delegacias de Polícia Civil e nas unidades de Polícia Militar, o efetivo muitas vezes é insuficiente para atender a demanda, gerando sobrecarga. O policial é ainda vítima de assédio, tanto por parte dos superiores, como por parte da própria população, que não compreende o seu serviço e limitações. O plantão torna-se muito desgastante e o dia subseqüente parece pouco para o policial reaver suas forças. Após passar um dia inteiro entre torpor e cochilos sobressaltados, o policial tenta, no segundo dia, retomar o que sobrou de seus laços familiares e sociais. O tempo é, em geral, insuficiente para dar-lhes a atenção devida. No terceiro e último dia, o policial já sofre com a tensão referente à aproximação de mais um plantão difícil e isso prejudica e por vezes até inviabiliza o seu descanso. Esse fenômeno é ironicamente chamado de TPP – Tensão Pré Plantão. O segundo dia de folga, que na prática é o único, muitas vezes é utilizado em atividades de complementação de renda, na tentativa de suprir necessidades não atendidas por seus vencimentos. Nessa dinâmica, o policial torna-se sedentário, não dispondo de tempo e muitas vezes nem de dinheiro para o lazer e atividades físicas.

No ambiente de trabalho, o policial é submetido a um ritmo cada vez mais intenso de trabalho dispondo, para isso, de mobília e equipamentos que muitas vezes não oferecem ergonomia. Não por acaso são freqüentes os casos de LER (Lesões por esforços repetitivos) e problemas de coluna. Como policial trabalha com as limitações humanas, sofre um grande nível de estresse
Em alguns locais o policial ainda é submetido a um ambiente insalubre. Existem delegacias onde o IML ainda é um de seus anexos, em outras, sequer existe banheiro disponível. Alguns policiais são submetidos ainda a agentes como poeira, mofo, limo, etc., que podem determinar infecções e graves problemas respiratórios, e, eventualmente, levar o policial à invalidez e até à morte.

2.2.2 - Saúde Emocional:
Um aspecto que normalmente provoca grave sofrimento ao policial é o rompimento de laços familiares e sociais. Esse rompimento é provocado, basicamente, por três fatores:
a) A discriminação social contra a classe policial, o que acaba determinando o isolamento dos policiais que, surpreendentemente, acabam por constituir um verdadeiro grupo vulnerável;
b) O esgotamento físico e mental que impede que o policial participe, em seus dias de folga, das atividades de lazer junto aos familiares ou amigos. Muitas vezes os familiares saem para passear enquanto o policial fica em casa dormindo, recuperando suas forças para o próximo plantão.
c) A instabilidade provocada pelas constantes remoções e mudanças na rotina de trabalho que, inevitavelmente, refletem negativamente na vida pessoal e familiar.

Outro aspecto é a perda de afetividade em função do trabalho. Todo trabalho demanda afetividade, que é o esforço físico, psíquico e emocional gasto pelo trabalhador a fim de alcançar um resultado. Nesse sentido, o salário deve se constituir uma compensação pela afetividade empenhada. Sendo o salário insuficiente, o trabalhador entra em sofrimento. O sofrimento é agravado no caso das escalas extras: Ora, o trabalho obrigatório não remunerado, outra natureza jurídica não tem senão a de trabalho escravo.

Um aluno do curso “Saúde ou Doença, de qual lado você está?” fez o seguinte relato, referindo-se às situações estressantes que o policial enfrenta dentro e fora de seu trabalho e as conseqüências desse estresse na sua saúde:

“convivemos com vários tipos de situações, onde somos pressionados por superiores que exigem muito e não oferece nenhum meio de trabalho melhor. temos os problemas de casa, as dividas e o pequeno salário, onde muitas vezes temos que perder nossa folga trabalhando em serviço extra, nos afastando cada vez mais de nossa casa, por este motivo existe tanto divórcio no meio da segurança publica. e elevando assim o estresse ao máximo, vindo a causar as famosas doenças do coração, pressão ETC.”

2.2.3 - Saúde Psicológica:
Frustrado em suas expectativas, afastado de seus entes queridos, vendo negados seus direitos trabalhistas como férias, horas extras, etc, muitos policiais sofrem com doenças como depressão, alcoolismo, dependência química, etc.
Trabalhando em sofrimento físico, emocional e psicológico, aumentam as chances de erro na atividade policial, provocando tragédias e punições desnecessárias.
No curso “Saúde ou Doença: de qual lado você está?”, um dos fóruns disponibilizados discutia sobre as doenças mais observadas. As participações foram muito parecidas nas cinco turmas. As doenças de ordem psicológica mais observadas foram: Estresse, Alcoolismo e Depressão. Em seguida, com um número significativo de referências, aparecem doenças como: Transtorno bi-polar, síndrome de Burn-Out e dependência química.

Na síndrome de Burn-Out, o profissional é cobrado acima de suas possibilidades e dos recursos que dispõe. Inicialmente, usa o próprio estresse como motivação e trabalha ainda mais, até que, exausto e sem perceber um resultado efetivo de seu esforço, entra em colapso e passa a agir com indiferença e insensibilidade.

2.3 - Assédio Moral
O contexto político atual cobra uma postura garantista, democrática e respeitosa no tratamento do cidadão pelo policial, e nem poderia ser de outra forma. Cobradas pela sociedade e pela imprensa, as instituições cobram de seus agentes a polidez no trato com os cidadãos, sejam inocentes, suspeitos ou criminosos declarados.

Paradoxalmente, esse respeito e dignidade que se exige, não são oferecidos ao policial. Em seu local de trabalho, o policial muitas vezes é submetido a tratamento desrespeitoso por parte do cidadão e dos superiores. Sofre com ofensas, muitas vezes em presença de outras pessoas, sendo humilhado publicamente.

Um aspecto desse assédio pode ser observado quando a administração aumenta a cobrança ao profissional ao mesmo tempo em que diminui os recursos que lhe são oferecidos. O não cumprimento das exigências determinará punições, o profissional sabe disso, mas, ainda assim, é sempre lembrado por sua chefia. Essa “lembrança” toma ares de ameaça e muitas vezes é proferida em público, constituindo-se também em humilhação.
Em geral o policial responde à sobrecarga de trabalho e à ameaça de punição em caso de fracasso trabalhando mais. Esse esforço adicional não é reconhecido, nem implícita nem explicitamente pela Administração, pelo contrário, esta entende que essa é a capacidade laborativa normal do profissional e que antes ele estava “fazendo corpo mole”.

Outro aspecto do assédio moral é a sumária negação de direitos. O policial raramente consegue gozar suas férias ou licenças. Geralmente a Administração justifica a negação do direito como “imperiosa necessidade do serviço público em face da falta de servidores”. Ora, essa “imperiosa necessidade”, se de fato existe, se deve tão somente à má gestão e o trabalhador não pode, de forma alguma, arcar com os custos de uma gestão ineficiente.

2.4 - Insegurança

2.4.1 - Insegurança Física:
O risco à integridade física e mesmo à vida é inerente à atividade policial. Todavia, muito diferente do que se concebe na opinião pública, costuma ser a menor das preocupações do policial. O policial em geral assimila bem o risco que sua condição funcional representa a si e à sua família e procura, dentro de suas possibilidades, adotar medidas para minimizar esse risco. Essas medidas são limitadas pelo baixo poder aquisitivo que seus vencimentos lhe proporcionam.

2.4.2 - Insegurança Jurídica:
O policial tem frações de segundo para decidir sobre o direito de terceiros, no local do fato e no calor dos acontecimentos. Meses ou até anos depois, sua ação será analisada e julgada com toda a calma e ponderação por juízes e corregedores que, em geral, já têm uma visão negativa pré-concebida da atuação policial. Assim é que, a cada ação, o policial é aterrorizado pelo medo da punição, seja em função daquela ação ser considerada abusiva, seja em função de ser considerada prevaricação.

2.4.3 - Insegurança Financeira:
O policial pode ser removido a qualquer tempo e isso, como vimos, refletirá nos seus vencimentos. Em caso de licença ou outro afastamento, também sofrerá com a perda das gratificações. O policial não tem como garantir que conseguirá cumprir seus compromissos financeiros, como aluguel, financiamentos, escola, etc.
Em decorrência disso, o policial geralmente sofre com transporte, moradia e assistência médica inadequada. Segregado pela elite que o emprega, acaba convivendo com os seus pares, aqueles a que se dispõe a oprimir e que lhe odeiam. Aqui a insegurança financeira leva, por via transversa, à insegurança física.

3. CONCLUSÃO

O policial sofre contínuas e diversas agressões, em que pese o estigma de opressão atribuído à classe. Espremido entre a elite, que lhe nega reconhecimento e os mais básicos direitos trabalhistas e a sociedade que deve oprimir para garantir privilégios daquela elite, o policial vive em uma “zona nebulosa”, desamparado pela “nobreza” e rejeitado pela “plebe”, sua classe. Sua condição se assemelha, como disse na Introdução, à do capitão do mato: Trabalhava para o senhor do engenho oprimindo o escravos, sem se dar conta que também é um deles (escravos). Ignorado pelo primeiro e odiado pelos segundos, o capitão do mato fica isolado sem ter quem lhe defenda.

O policial, nosso capitão do mato moderno, constitui, por paradoxal que possa parecer, verdadeiro grupo vulnerável: Mais do que negros, idosos, homossexuais, deficientes, etc, sofre discriminação de todos os segmentos da sociedade, seus próprios pares, e, diferentemente daqueles grupos, não tem o policial, nenhuma instituição ou organização que o defenda efetivamente.

O primeiro passo para começar a reverter a situação descrita acima, consiste na concepção, pelo policial, de sua condição de “cidadão qualificado pelo serviço”, integrante e representante da sociedade. Esse entendimento permitirá ao policial atuar com cidadania, legitimando-o a exigir, da população e de suas próprias instituições, o reconhecimento dessa condição. O policial deve, recusar veementemente o papel de “ferramenta da opressão” que lhe é oferecido pela elite, outrossim, deve reconhecer-se como parte integrante da sociedade Deve, como qualquer trabalhador, exigir seus direitos, melhores condições de trabalho e uma remuneração mais digna, capaz de compensar a afetividade perdida.


4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARALDI, Tereza Cristina Albieri; SOUSA, João Alberto Maciel de; SANTOS, Lídia Cecília dos. Apostila do Curso Saúde ou Doença: de qual lado você está? SENASP/MJ, 2009.

BRETAS, Marcos Luiz. Duzentos anos de polícia no Brasil. Disponível em: . Acesso em 01.Jun.2011.

GOMES, Cláudio Pinheiro. Policial refém: drama e agonia de um salário vil. Disponível em: < http://www2.forumseguranca.org.br/node/22086>. Acesso em: 01.Jun.2011.





















sábado, 25 de junho de 2011

COLETE SALVA POLICIAL





Fonte: R7